Nota Publica do FPSPPDSP sobre o assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes
- Colegiado FPSPPDSP

- 18 de set. de 2025
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O Fórum Popular de Segurança Pública e Política de Drogas de São Paulo lamenta o assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, e expressa solidariedade a seus familiares, amigos e colegas neste momento de dor irreparável.
Exigimos que o crime seja investigado com rigor e transparência, observando as atribuições legais de cada força policial. Neste e em todos os casos de violência, a sociedade, e em especial, às famílias das vítimas, têm direito à verdade, à justiça e à reparação.
A justiça só se concretiza quando realizada dentro da legalidade e do devido processo, garantindo proteção tanto a policiais quanto a civis.
Apesar das ameaças públicas que Ruy Ferraz Fontes sofria, ele se encontrava desprotegido, exposto às condições de insegurança que atingem a própria corporação. Esse episódio ilustra a falência de um modelo de segurança que investe em confronto e letalidade, enquanto ignora a necessidade de fortalecer ações de prevenção, investigação e a responsabilização criminal — pilares fundamentais para uma política de segurança democrática e eficaz.
A escolha política que privilegia o policiamento ostensivo em detrimento da investigação e da inteligência é assustadora e se evidencia na disparidade orçamentária entre a Polícia Militar, a Polícia Civil e a Polícia Científica em São Paulo. A aposta na repressão imediata em detrimento de investigação, tem alimentado índices alarmantes de violência policial, aprofundando o ciclo de mortes que atinge, sobretudo, moradores das periferias — majoritariamente jovens e negros.
Em vez de promover a prevenção da violência e a investigação qualificada, agentes do Estado têm buscado construir narrativas que justifiquem suas ações, criminalizando as vítimas e seus familiares.
Ressalta-se que a cada morte, famílias adoecem, são empobrecidas e permanecem completamente desamparados — sem assistência material, médica ou psicossocial. Dependem, basicamente, da solidariedade e da ajuda humanitária umas das outras, convivendo diariamente com o medo de que violências como essas voltem a ocorrer contra seus familiares e suas comunidades.
Repudiamos a violência que assola o estado de São Paulo e reafirmamos que nenhuma forma de violência pode ser tolerada. Nesse sentido, esta tragédia não deve servir de pretexto para a continuidade da política de morte promovida pelo governador Tarcísio de Freitas e pelo secretário de segurança pública Guilherme Derrite. Rejeitamos que a resposta a este crime seja a intensificação da violência policial e de operações letais, como as recentes Operação Escudo e Operação Verão na Baixada Santista, além de ações violentas como em Paraisópolis, na Favela do Moinho e muitas outras comunidades no estado, que ceifaram inúmeras vidas e adoecaram tantas outras, especialmente mães.
Mais do que nunca, é hora de romper com o ciclo de violência que assola o Estado de São Paulo. Segurança pública não se constrói pela lógica da guerra, mas pelo compromisso com a vida, os direitos humanos, a justiça social e o fortalecimento democrático das instituições.
Reiteramos nossa crítica dura e firme à condução da política de segurança pública do atual governo, que insiste em estratégias de confronto em detrimento do bem-estar. A proteção da vida deve ser a prioridade de qualquer governo democrático.
Continuaremos mobilizados e vigilantes, denunciando a continuidade das práticas letais e pressionando por uma política de segurança com controle social externo, perícia independente, inteligência como pilar investigatório e operacional, que respeite a dignidade de todas as pessoas e que garanta um futuro de paz e justiça para o povo paulista.
São Paulo/SP, 16 de setembro de 2025
Fórum Popular de Segurança Pública e Política de Drogas de São Paulo




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